Mosteiro de Odivelas / Antigo Mosteiro de São Dinis e São Bernardo /
Instituto de Odivelas
Mosteiro de Odivelas e
o túmulos de D. Dinis e de sua filha
Monumento Nacional por Dec. de 16/06/1910
- Localização : Lisboa,
Odivelas, Odivelas
- Acesso : Lg. D. Dinis
- Protecção : MN, Dec.
16-06-1910, DG 136 de 23 Junho 1910, ZEP, DG 22 de 26 Janeiro 1957,
DG 130 de 01 Junho 1962
- Enquadramento : Urbano.
Ergue-se num largo desafogado com est tua da Rainha D. Isabel e
pequeno Jardim, envolvido por construções.
-
Descrição : Das dependências
conventuais destaca-se o claustro novo ou do Capítulo, de 2 pisos,
com lambril de azulejos no primeiro, portal conopial de acesso ao
coro (primitivamente), torre anexa junto à igreja e sala do
Capítulo, hoje pequeno museu onde, entre outros, se conserva
desmanchado o antigo orgão. Separando-se do claustro da Moura,
parcialmente de 2 pisos com alguns capitéis góticos no 1º, a cozinha
forrada com azulejos de figura avulsa e refeitório com lambril de
azulejos figurados e albarradas com tecto de masseira em caixotões
pintados com elementos vegetais e compositivos; pulpito e mecanismo
giratório ligado à cozinha. A igreja de planta longitudinal composta
por nave única, cabeceira escalonada com abside e absidíolos
poligonais comunicantes e com contrafortes escalonados, tendo
adossada sacristia lado Epístola e capela Nicolau Ribeiro Soares no
Evangelho; com entrada lateral por galilé abobadada precedida por
loggia azulejada sob colunas toscanas em angulo recto acompanhando
outras construções e onde se faz acesso ao Instituto. Interiormente,
abside com abóbada de 3 tramos, sob colunas e mísulas, e frestas com
mainel; as abóbadas dos absidíolos conservam ainda vestígios de
policromia. No centro dos absidíolos encontram-se os túmulos de D.
Dinis, arca de grandes dimensões, de forma paralelipipédica, com
jacente e 6 suportes, e de sua filha D. Maria Afonso, constituído
por arca de forma igualmente paralelipipédica, com jacente e dois
suportes. Ambos os túmulos se encontram muito degradados sendo no
entanto visíveis a riqueza da sua decoração. Nave com 2 púlpitos e 4
altares enquadrados por arcos e tribuna sobre entrada.
- Utilização Inicial :
Devocional, cultual. Convento de monjas cistercienses.
- Época de Construção : Séc.14
/ 18
- Arquitecto/Construtor : Antão
e Afonso Martim, Fr. João Turriano
-
Cronologia : 1294 - Licença
eclesi stica para fundação do mosteiro; 1295 - lançada a 1ª pedra
por D. Dinis, ficando 80 freiras a viver no Paço Real, junto; 1305 -
o mosteiro encontra-se terminado; Séc.13, finais, séc. 14, inícios -
o mosteiro é generosamente contemplado por doações reais ou de
particulares e nele se instalaram várias figuras importantes da
história; 1425 - D. Pedro, duque de Coimbra, institui capela e manda
rezar missa di ria por sua mãe; 1516 - Sepultura D. Violante,
Abadessa, irmã de D. Pedro Álvares Cabral, na sala do capítulo, e a
pedido da qual Gil Vicente escreveu Alto da Cananeira; 1531 - um
terramoto afectou-o bastante; 1557 - lápide Nicolau Ribeiro Soares e
mulher, Violante Rabela; 1571 - loggia do frontespício, 1573 - data
de uma coluna da loggia; Séc. 16 - claustro da Moura; 1639 - brasão
da loggia; Séc. 17 (meados) - D. João IV ordena grandes
remodelações; 1652 - George Cardoso descreve mosteiro com grande
riqueza; 1671 - revestimento azulejar da loggia; 1691 - data da
porta principal; Séc. 18 - D. João V ordena remodelações, aumentando
os dormitórios, melhorando refeitório, cozinha, etc., que desvirtuam
a anterior simplicidade mon stica; 1755 - terramoto provocou grandes
danos no mosteiro, da igreja poupou apenas cabeceira; religiosas
vivem em barracas durante as obras; 1834 - extinção das ordens
religiosas conduz à delapidação do património; 1886 - muito
arruinado; 1887 - planta de Borges Figueiredo. Obras de readaptação
para abrigo de mulheres regeneradas; 1898 - Infante D. Afonso
solicita-o ao Ministro da Fazenda para alojar filhas orfãs de
oficiais do exército; 1889 - Obras param por falta de orçamento;
1900 - entrega ao Infante; 1903 - quase terminadas as obras, ali
viviam já 57 alunas em regime internato; 1922 - derrubada casa do
Rei e o escudo colocado numa ala do claustro da Moura; 1969 -
estragos provocados pelo sismo.
-
Tipologia : Arquitectura
religiosa, gótica, maneirista, barroca, eclética. Mosteiro
cisterciense. Juntamente com o de Almoster, foi das últimas
construções cistercienses femininas em Portugal. Estilo de
influência das ordens Mendicantes, nomeadamente na disposição da
cabeceira, com passagens estreitas estabelecendo comunicação directa
com a zona conventual, disposição que se encontra igualmente em
Portalegre e Almoster, abóbada achatada, e outros; as frestas aqui
são, no entanto, mais baixas. Igreja de 3 naves, acompanhando todo o
comprimento do claustro novo, com entrada lateral, própria dos
Conventos femininos, e cabeceira escalonada onde abside e 2
absidíolos tem contrafortes. A nave da igreja foi reconstruída com
feição maneirista, o estilo dos azulejos da loggia. Decoração
joanina no refeitório e azulejos de cozinha.
- Caracteristicas Particulares :
A planta desenvolve-se para N., ao contr rio do usual, devido ao
curso do rio.
-
Bibliografia : BARBOSA, J.
Vilhena, O Mosteiro de Odivelas in Archivo Pittoresco, 6 vol.,
Lisboa, 1863; FIGUEIREDO, António Cardoso Borges, Mosteiro de
Odivelas, lisboa, 1889; GUSMÃO, Artur, A Expansão da Arquitectura
Borgonhesa e os Mosteiros de Cister em Portuga, Lisboa, 1953, CHICÓ,
M rio Tavares, A Arquitectura Gótica em Portugal, Viseu, 1968;
COCHERIL, Dom Maur, Notes sur l'architecture et le décor dans les
abbayes cisterciennes du Portugal, FCG, Paris, 1972; SARAIVA,
Carlota Abrantes, Contribuição para o Estudo dos Azulejos do
Instituto de Odivelas, Lisboa, 1975; COCHERIL, Dom Maur, Routier des
Abbayes Cisterciennes du Portugal, FCG, Paris, 1978; DIAS, Pedro, A
Introdução das primeiras formas Góticas, in História da Arte em
Portugal, 4 vol., Lisboa, 1986, p. 9 - 63; ANTUNES, Eva Maria Cotas
e Garcia e SILVA, Ana Paula Noé da, O Mosteiro de São Dionísio de
Odivelas, (J.H.A.F.L.L.) 1986 / 1987.
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Intervenção Realizada : 1938
/ 1942 - Obras de reparação e restauro; conclusão das mesmas; 1958 -
reparação do telhado da igreja; 1959 - idem; 1961 - Transferência do
túmulo de D. Dinis da capela para a nave; 1966 - reparação da
cobertura da igreja; reconstrução do telhado das capelas laterais
esquerda; 1967 - reparação do telhado; 1969 - reparação dos estragos
causados pelos sismos de Fevereiro, nomeadamente reparação de
telhados e tecto da nave e trabalhos urgentes de conservação; 1974 -
Obras conservação na igreja e claustro; 1978 - tratamento contra
formiga branca; 1980 - conservação; 1985 - reparação das coberturas
da igreja; 1986 - reparação das coberturas; 1988 / 1989 -
beneficiação no claustro da Moura; 1990 - beneficiação nos terraços
do claustro principal; 1994 - reparação da cobertura da igreja e
beneficiações no claustro da Moura; 1995 - cobertura do alpendre do
claustro da Moura; 1997 - revisão da cobertura da igreja; execução
de nova cobertura na sacristia; rebocos na torre sineira e fachadas
N. e nascente do igreja.
Fonte:Direcção Geral dos Edificios e Monumentos Nacionais |