Cartão Europeu de Saúde [Ver
Cartão]
Passo a fornecer /comentar
mais alguma informação sobre este cartâo - que é na verdade, puramente
"platónico" (à falta de melhor designação...). Mas, por nada haver em
alternativa a este, aconselho a levarem-no, mas sobretudo para quem não seja
turista,isto é, trabalhadores temporários ou emigrantes - terão sempre uma
"vantagem" pessoal em poderem apresentar 1 novo documento de identificação,
emitido oficialmente, e aceite na EU.
Em Junho de 2006, esperei
mais de 1 mês pelo cartão. O mais engraçado, é que já depois de o ter
recebido em vésperas da minha deslocação à CE-Bruxelas, foi-me muito
simpáticamente enviado um outro cartão "provisório" para ser usado até à
chegada do principal (conclusão: fiquei com o provisório depois de já ter
comigo o definitivo....).
Por acaso, tive mesmo de
fazer uma consulta (precisei de um antibiótico) no ultimo sábado em que
estive em Bruxelas, num consultório de uma médica particular, que estava de
serviço (lá é assim, há sempre médicos que se "escalam" ao fim de
semana, mesmo não pertencendo ao Sº público /Hospitais). Por uma análise e
consulta paguei €30... Quando apresentei o cartão, a médica nem sequer
necessitou dêle,pois os únicos elementos que me identificam para a emissão
da factura são o meu nome e, eventualmente o nº de ADSE. êles recebem o
pagamento, e nada mais é feito, por enquanto. Num Hospital, paga-se a taxa
moderadora, e o Hospital envia pelo correio directamente para a ARS /SNS a
factura, esperando vir a ser reembolsado mais tarde dessa despeza
efectuada.
Assim, neste momento, o
"cartão" como disse acima, é "platónico", pois que ainda é totalmente
impossível fazer-se (para efeitos de lançamento de facturação e
de verificação on-line) uma prescrição ou emissão de facturas "em rede" (automáticamente), junto
dos Estados Membros. Portanto, no meu caso, apresentei a conta à ADSE para
reembolso, quando regressei.
Este cartão "simbólico" irá
ser substituido talvez já a partir de 2008 pelo NetCard, o Cartão
Inteligente de Saúde (coube-me fazer quando estive em
Bruxelas, precisamente, a avaliação desta proposta liderada por França, que
se apresentou já numa fase muito desenvolvida, ): trata-se de 1 cartão cujo
conteúdo e estrutura já foram acordados com os Estados Membros ao longo
de sucessivas reuniões tidas entre 2002 e 2006.
Acordos que, no caso
de Portugal, irão ser muito difíceis de pôr em Prática: exigem-se nºs únicos
de identificação de cidadão/paciente, estruturas standards nos serviços
nacionais (Saúde, Seguros, Seg. Social, e Sub-Sistemas) de forma a
informatizar-se a rede de informação nacional entre todas estas entidades.
Só com esta base se poderá automáticamente repartir (dentro de cada sistema
nacional de saúde,publico e privado, responsável pela cobertura de cada
cidadão), os custos devidos pelos serviços prestados noutro país (cuidados
primários, análises, hospitalização, etc.), custos que já não serão pagos
pelo "paciente" no local onde lhe seja prestada assistencia, mas sim através
de acertos directos e automáticos de contas entre as entidades em "linha" na
rede trans-Europeia.
Claro, que em Portugal tudo
está por fazer! Na verdade, a correcta informatização da Saúde encontra-se
parada há anos, (não existe 1 entidade reguladora de Standards, o Registo
Electrónico de Saúde centrado nos episódios ao longo da vida de cada
paciente e acessíveis em qualquer ponto/local de prestação de cuidados de
Saúde onde êle se encontre, etc etc.). Nem nada aponta para que seja
definida ( e teria que ser "JÁ", dado um crónico atrazo estrutural de pelo
menos 10 anos! ) uma clara política das TICS para a Saúde (em moldes
internacionalmente convergentes), que iria óbviamente (e comprovadamente de
acordo com as práticas e resultados obtidos desde há 15 anos em todos os
Países Europeus, e, presentemente seguida também pelos US ) produzir uma
acentuada melhoria da qualidade dos cuidados de saúde prestados, e, last but
not least!, substancialíssimas economias produzidas sobre os pesados custos
da Saúde - mas com melhores serviços para os utentes!
Para dar só 1 exemplo: no
NHS (UK), o facto de se ter adoptado (já quase no fim da cadeia de
informatização) a "prescrição médica on-line", fará com que tal provoque uma
economia de £ 9ooo Milhoes ao longo dos próximos 7 anos!
E, este acto médico, é só
uma pequenissima ponta do Iceberg, pois que a montante, na Inglaterra e
desde 1998, tem-se avançado numa política muito clara e segura, quanto ás TICs
para a Saúde (através da criação em 1999-2000 de uma Agencia para as TICs
,coadjuvante das necessidades de prestação de cuidados de saúde pelo NHS, mas
"moldando" e reorganizando estruturalmente o NHS no que concerne a sua
organização operacional,/ sistemas de informação de Saúde,EHR/ Standards
etc.etc..
O Plano do CfH para o NHS
foi aprovado pelo Governo inglês em 2002, começando a dar os primeiros
resultados já em 2004, depois de se ter concretizado no terreno a necessária
reestruturação dos diderentes layers organizativo-operacionais do NHS, e se
ter iniciado a aplicação de soluções globais informatizadas com recurso à
competência da industria e de vários fornecedores, para objectivos únicos e
acertados com as partes envolvidas.
Para quem se interesse por
este "caso" do "NHS - CfH", indico a seguir o endereço onde se encontra o
referido Business Plan, para 2005-2006: é muito claro, com uma linguagem
sem ambiguidades nem "palavrosa", e explica tudo o que está feito e as novas
metas a serem atingidas. Inesperadamente, a sua leitura torna-se quáse
apaixonante.
Parece-me importante, mesmo
para um simples cidadão que queira estar mínimamente informado, ler este bom
exemplo, e... meditar no que poderíamos já ter feito: com o passar dos anos,
será cada vez mais difícil e trabalhoso procedermos à recuperação que se
impõe (e que nos é imposta pela EU), face à manta de retalhos com que nos
deparamos nesta área de intervenção, e à inexistência desde 1976 de
uma Política nacional do Mº Saúde para a informática e TICs no SNS. Mas,
tudo terá de ser feito nesse sentido, irreversívelmente, e quanto mais tarde
pior, sobretudo pelo atrazo que vai implicar quanto ás melhorias de
prestação de cuidados de saúde para os pacientes deste nosso país. ... E
também porque enquanto tal não for feito, não poderão ser atingidas
metas relacionadas com substancialíssimas economias no SNS, para os utentes,
e, claro, que se repercutirão directamente no nosso OGE, e contribuindo para
uma quota de alivio desta nossa muito depauperada economia....
.
A questão de fundo, é
preocupante: pessoalmente não considero estarmos em condições no nosso
SNS para podermos "entrar" nos benefícios trazidos por um próximo Cartão
Inteligente de Saúde Europeu, e, muito menos podermos aceder à rede
trans-Europeia de Saúde - que será uma prática em uso a curto prazo na maior
parte dos Estados Membros,sendo 2010 uma data apontada para a cobertura
Europeia das transacções automatizadas inter-países (médicas e financeiras)
relacionadas com o acesso à Saúde pelos cidadãos da EU, seja em que local
seja.
....Fico-me por aqui.
Cordiais cumprimentos,
Maria
Laires